Openning closets / Abrindo os armários

English below!

O casarão da minha avó onde eu praticamente cresci tinha várias surpresas proibidas… uma imensa escada arredondada levava a um segundo andar da casa com imensas salas vazias, terraços, sótãos com baús centenários e até jardins! Mesmo assim, ninguém sequer mencionava que aquilo tudo existia. Por incrível que pareça, também a própria escada permanecia escondida. Como nós costumávamos jantar lá todas as noites e passávamos o domingo todo reunidos na casa, eu sempre tive muito tempo para procurá-la secretamente, mas nunca encontrei. Eu só conseguia chegar ali por acaso, quando menos esperava, enquanto dormia!

Essas visitas no andar de cima eram tão impressionantes que eu não podia acreditar que fossem sonhos… por isso continuava procurando pela escada, que eu nunca encontrei acordado, mesmo sabendo que ali havia tanto a ser descoberto.

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Os anos se passaram e quando cheguei nesse apartamento descobri algo que me eletrizou tanto como aqueles chamados “sonhos” infantis… Pouca gente acredita quando eu conto mas é verdade: num canto da casa haviam dois armários, um atrás do outro! Veja bem, eu não disse um de frente para o outro, mas “um atrás do outro“!! Ou seja, o armário da frente escondia o de trás, ao qual ninguém tinha acesso!

Imediatamente reconheci ali o segundo andar da casa da minha avó, que eu finalmente teria o direito de descobrir. Dei-me ao trabalho de desmontar o armário da frente para conseguir tirá-lo de lá e assim vi que o armário de trás era exatamente igual ao da frente!! Uma réplica perfeita, mas em melhor estado, como que conservado no tempo. Abri-lo foi um momento excitante… quatro portas grandes que poderiam ter tesouros incríveis ( ou horríveis) ao meu dispor. As duas primeiras partes do armário estavam lindamente vazias. Nada. Nem poeira entrou ali. Nas outras duas, a minha parte do tesouro… longas cortinas de voal e sete quadros, gravuras de paisagens rurais austríacas em branco e preto ou cores escuras, outonais, que agora estão penduradas no meu apartamento.

Eu não sei bem se essa é a realização da minha expectativa infantil. No fundo, eu esperava algo pelo menos mais… dramático. Mas as gravuras são bonitas… imagens que me lembram a impressão que eu mesmo tive da Áustria quando cheguei aqui e por isso me dão uma sensação gostosa de reencontro. Elas trazem a numeração 41/150 e a assinatura – se é que estou conseguindo ler direito – “F. Rauscher”. O único artista que eu encontrei na internet com esse nome não me parece ser o autor dessas gravuras, o estilo não combina nada. E assim, resta a dúvida… quem será essa personagem que entrou na minha vida de maneira tão inusitada? Alguém o conhece?

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My grandmother’s large house where I spent most part of my childhood had so many prohibited surprises… huge round stairs brought us to the second floor of the house with wide empty halls, terraces, attics with centennary trunks and even gardens! But nevertheless, nobody would ever speak about it. As incredible as it may sound. even the stairs remained hidden. We used to be there every evening for dinner and also spent the whole day on sundays all together in that house so I had enough time to search secretly for it again and again but I never found it. I could only get there when I didn’t expect for , by accident, while sleeping!

Those visits in the second floor were so impressive I just couldn’t believe they were dreams… so I kept looking for those stairs which I never found awake even though I knew there was so much to discover over there.

Years passed by and when I arrived here in this apartment I found out something that electrifyed me as much as those so called infantile “dreams”… Almost nobody believe when I tell but it is true: in a corner in the flat there were two cabinets, one behind the other! Look, I didn’t say one facing each other but “behind the other”!! That means, the front cabinet was hidding the other one, which nobody could access!

I imediatly recognized there the second floor of my grandma’s house that finally I would have the right to uncover. I did the hard job to dismantle the front cabinet all by myself so I was able to move it from there and so I saw that the other cabinet was exactly the same as the front one!! A perfect copy though in better shape, preserved in time. The moment of oponning it was rather exciting… four big doors that could hide an unmeasurable treasure (maybe a horrible one) all in my hands. The two first parts were beautifully empty. Nothing. Not even dust was there. In the other two parts, my lot of the treausre… long voile curtains and seven pictures, prints with rural austrian landscapes in black and white or dark, autumnal colours that are hanging on my walls now.

I’m not quite sure if this is the fulfillment of my infantile expectations. Sincerely, I would go for a little bit more of… drama.But the prints are beautifull… images that remind me the impression I had from Austria when I just got here therefore they give me a confortable homecoming feeling. They have the numbers 41/150 and a signature “F. Rauscher” – if I am reading it right. The only artist I found in internet under that name doesn’t seem to be the author of these prints, the styles don’t fit. And so, I still remain in doubt… who could be that character who came into my life in such an unexpected manner? Does anybody know him?

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2 comentários sobre “Openning closets / Abrindo os armários

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