@anxoret: Between cloud and silver lining / Borda de prata em nuvem carregada

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Semana passada, o post de domingo falava sobre a cor prata de um jeito muito pessoal porque fui escrevendo na medida em que rearranjava um cantinho aqui em casa. Metais prateados entraram com força na nova decoração para proporcionar reflexos, pontos de luz e brilho num lugar que, por ser longe de janelas, é dominado pela escuridão.

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Estou relembrando essa estória porque naquele momento eu imaginava luz e escuridão como se fossem um par que convive de mãos dadas. Isso é muito diferente de quando penso que são simplesmente dois contrários que se excluem ou opositores em guerra que só podem existir plenamente a partir do momento em que um derrota o outro. Esse tipo de pensamento bélico parece causar satisfação no esporte e na política mas a vida não pode ser resumida a uma eterna procura da sensação de vitória com a derrota do inimigo. Aprender a conviver com contrários é um exercício que me parece provavelmente mais árduo mas muito mais inspirador pois acho mais humano procurar um – digamos –           empate sem embate.

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O excesso de luz, além de cegar tanto quanto a escuridão, tem o agravante de machucar os olhos mas apesar disso, o temor da luz parece estar muito mais distante da nossa imaginação do que o temor da escuridão. A instagramer que eu quero apresentar hoje, Marian Ventoza, ou @anxoret, tem me provocado a pensar nisso tudo há algum tempo. A galeria dela no Instagram tem algo mágico que tanto me fascina quanto me amedronta… mas eu demorei muito tempo para conseguir entender o significado desse dúbio sentimento. O que eu vi desde o início em suas fotos é uma invasão de luz mostrada pela perspectiva de lugares muito escuros. Essa força invasiva da luz me amendrontava mais que a própria escuridão e me deixava em dúvida perguntando “como a luz pode causar medo?” pois o poder violento da luz fica bastante evidente nas fotos de @anxoret.

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O bom da arte é justamente deixar que ela nos leve por caminhos inusitados do pensamento… O medo que eu sentia quando vi as fotos de @anxoret pela primeira vez (assim como o fascínio que o acompanhava) era reforçado pela descrição que ela faz de si mesma em seu perfil dizendo ser “uma pessoa que gosta de coisas sensuais e perturbadoras”. Essa frase deixa claro que a  perturbação que eu experimentava é intencional! E assim, durante algum tempo, eu me sentia colocado numa certa posição de medo, num lugar escuro, prestes a ser invadido pela luz implacável. Acontece que a perturbação da arte é como a agitação da água provocada por algo que cai em sua superfície, confundindo sua tranquilidade que, por sua vez, volta a se restabelecer aos poucos. Somente quando minha tranquilidade se restabeleceu foi que eu pude perceber a delicadeza poética e amorosa que a mira certeira da lente de @anxoret é capaz de atingir. Marian Ventoza me mostra que meu lugar como observador de suas fotos não é nem a escuridão nem a luz… mas a tênue fronteira que separa esses dois extremos multiplicando o significado deles. Pouco a pouco, o medo cede lugar ao prazer benfazejo que os olhos sentem ao se acostumar com a luz e que conforta a melancolia de perder o aconchego da escuridão. Uma passagem tão tranquila e suave como a expectativa temerosa jamais permitiria imaginar. Esse limiar entre dois sentimentos é o caminho estreito que @anxoret me convida a trilhar em sua galeria com a generosidade de me deixar descobrir o sentimento que deverá me acompanhar dali em diante… E assim ela me fez descobrir a esperança.

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Last week, my sunday’s posting about colour was on silver in a very personal way since I was writing it at the same time I was re-decorating a corner at home. Silver metals became a strong element in that composition to attract reflections, points of light and shine to a place that is dominated by the dark just because it is quite far from any window.

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I’m remembering this story on purpose because at that moment I imagined light and darkness as a pair living together hand in hand. That is quite diferent than seeing them simply as two contraries that exclude one another or war objectors that can only fully  exist after one has defeated the other. This kind of military thinking seems to bring satisfaction in sports and in the politics but life may not be restricted to that eternal search for a sensation of victory by defeating the enemy. Learning how to live with contraries is probably a much more dificult exercise but also much more inspiring. I think it’s just more human to look for – let’s say – a tie without battle.

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Light excess blinds just as much as darkness and it can be even worse since it also hurts the eyes but nonetheless the fear of light seems to be much more distant from our imagination than the fear of darkness. The Instagramer I want to bring today, Marian Ventoza, or @anxoret, has been triggering me to think about all this for quite a long time already. Her gallery at Instagram has something magic that fascinates me but frightens me too and it really took me quite a while to understand the meaning ot this dubious feeling. What I saw since the beginning in her photographies is an invasion of light seen from the perspective of very dark places. This invasive power of light frightened me even more than the darkness itself and made me ask myself “how can light be so  frightening?” because @anxoret’s photos show clearly the violent magnitude of light’s force.

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The good thing about art though is exactly that is takes us through unusual thinking paths… The fear I felt when I first saw @anxoret’s photos (just as well as the fascination that came with that fear) was reinforced by the description she makes about herself in her profile telling us she is “a person who likes sensual and disturbing things”. This phrase makes it clear that the disturbance I felt was intentional! And so, for a while, I felt like being put in a kind of fearful position, a dark place just about to be invaded by implacable light. But disturbance in Art is like the agitation of water provoked by something that falls on its surface, confusing its tranquility at the first moment but letting that tranquility restore itself little by little. And only when my own tranquility was restored I was able to see the poetic and amorous delicacy that the unerring sighting of @anxoret’s lens is able to hit. My place observing Marian Ventoza’s photos is neither darkness nor light…it is in the fragile border between these two extremes that also multiplies their significance. Little by little, fear gives way to the beneficent pleasure that the eyes feel when getting used to light and conforts the melancholy of loosing darkness’ cozyness. This threshold between two feelings is the narrow path in which @anxoret invites me to walk along her gallery with the generosity of letting myself discover the feeling that will follow me from that moment on… And so she made me discover hope.

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