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The yellow castle & the Vienna Philharmonics / O castelo amarelo e a Orquestra Filarmônica de Viena

English below!

Na última quinta feira, o castelo vienense Schönbrunn, um dos mais famosos do mundo, recebeu em seus jardins um público de 140.000 pessoas para ouvir o tradicional concerto de verão da Orquestra Filarmônica de Viena. Esse ano, o concerto foi regido pelo maestro Semyon Byshkov e teve como solistas as irmãs pianistas Katia e Mariella Labèque num repertório totalmente dedicado à música francesa.

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Qualquer brasileiro que vê esse castelo amarelo de janelas verdes pela primeira vez nota a semelhança com as cores da bandeira de seu país. Não é coincidência. O amarelo foi instituído pelo Imperador Joseph II como cor oficial para representação da monarquia austríaca na segunda metade do século 18. O pigmento “ocre dourado” era importado da França e Itália a preços exorbitantes mas o Império possuía algumas minas de ocre na Boêmia que supriam sua demanda. Assim, todos os prédios oficiais do Império foram pintados dessa cor que se tornou praticamente um selo do domínio habsburgo. O Brasil, grande quintal selvagem do Reino de Portugal que casava seu herdeiro com uma das princesas austríacas, logo entraria para a lista dessas posses e nada mais natural que sua bandeira exibisse as cores dos seus senhores. O papo todo de soberania foi inventado beeeem depois, mas por que será que não me contaram isso quando estava na escola… eram tempos de ditadura militar… isso sim, coincidência?

Sommernachtskonzert Schönbrunn 2012
Sommernachtskonzert Schönbrunn 2012

O concerto com entrada gratuita é considerado um presente da Filarmônica ao público que supera, em muito, os 140.000 que ocuparam todo o jardim do castelo. A gravação feita pelos canais de TV da Áustria e Alemanha foi transmitida ao vivo para public viewings em Viena, Londres, Bucareste, Madrid e Monza, fora as reprises em rádio e televisão, CDs, DVDs e multiplicação pela internet. Um presente a nível global!

Como isso é possível? Por um lado, através do patrocínio privado (Rolex, Banco Nacional da Áustria entre outros) e por outro, a mão estatal responsável e ciente do papel da cultura para movimentar um mercado que emprega 4% da população do país gerando riquezas da ordem de 20 bi de euros/ano. Já imaginou quantos leitos de hospital dá pra construir com os recursos gerados pela cultura? Abaixo, o concerto completo. Bom domingo!!

Last thursday, the viennese castle of Schönbrunn, one of the most famous in the world, received an audience with around 140.000 people in its gardens to hear the traditional summer concert by the Vienna Philharmonics. This year, the concert was conducted by Semyon Byshkov and had the pianist sisters Katia e Marielle Labèque as soloists with a program fully dedicated to french music.

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Every brazilian who sees this yellow castle with green windows for the first time notices the similarity with the colours of his own country’s flag. It is not a coincidence. The Emperor Joseph II established yellow as the official colour to represent Austrian Empire in the second half of 18th century. The pigment “golden ocher” was imported from France and Italy at exorbitant prices but ocher mines possessed by the Empire in Bohemia did meet the demands. And so, all imperial official buildings  were painted in this colour which became actually a kind of seal of Habsburg rule. Brazil, big wild backyard from Portugal Kingdom, would become part or that list of possessions soon through the marriage of Portugal’s heir with one of the Austrian princesses and nothing more natural than exhibit the colour of its rulers in its flag. All the bla-bla about national sovereignty was found out much later but I wonder why nobody taught this when I was in school… times under military dictatorship… would that be a coincidence?

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The concert is by free entrance and is considered to be a gift from the Philharmonics to an audience that surpasses by far the 140.000 who occupied the gardens of the castle. The recording done by Austrian and German TV channels was broadcasted live for public viewings in Vienna, London, Bucharest, Madrid and Monza, plus repeats by radio and TV, CDs, DVDs and viral multiplication in internet. A gift in global level!!

But how is that possible? At one hand, through private sponsoring (Rolex, Austrian National Bank among others) and at the other hand,through the responsible hand of a State that is aware of the role played by culture to move a market that employs 4% of the country’s population and generates wealth of 20 bi € order. Ever wondered how many hospital beds it’s possible to create with that money? Above, the complete concert. Have a good sunday!!

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13 comentários sobre “The yellow castle & the Vienna Philharmonics / O castelo amarelo e a Orquestra Filarmônica de Viena

  1. Caro blogueiro,

    Quando a lorota ufanista relativa às cores da bandeira brasileira (o verde de nossas matas e o amarelo de nosso ouro) foi costurada, já fazia duzentos anos que palácios dos Habsburgos ostentavam a fachada característica que você tão bem descreve.

    O Brasil, país pobre em tradições autóctones, tinha (e ainda tem) duas opções: ou importa tradição alheia ou cria lenda nacional. No caso da bandeira, optou-se pela distorção do simbolismo das cores, pura invenção.

    A notar que continuamos inventando ou reforçando lendas como se fossem pilares constitutivos da nação. Zumbi dos Palmares é exemplo acabado. Lenda provavelmente criada em laboratório, é ensinada aos aluninhos como se verdade bíblica fosse.

    Por seu lado, continuamos a importar «tradições». Halloween está entre as mais recentes.

    Em tempo:
    Não acredito que a ocultação do significado verdadeiro das cores da bandeira nacional tenha sido decidida no período militar. Este leitor, que já terminava o ensino médio quando os tanques de 1964 tomaram as ruas, tampouco recebeu a informação correta. Antes de apontar uniformizados, há que atribuir a lacuna à ignorância de quem nos ensinou. Ninguém pode dar o que não possui.

    Forte abraço.

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    1. Oi meu querido,
      Desculpe a demora da resposta, sou mesmo lento e tinha muito o que digerir, tanto do seu comentário, sempre deliciosamente carregado de conhecimento, como de um posterior, com uma visão mais pessoal, da qual discordo com pesar.
      Como profissional do teatro, sou fã de uma boa breguice de efeito, então aproveito para utilizar uma de minhas preferidas: “Só não lhe dou razão porque voce já tem!”
      A ignorancia é nossa primeira herança e contra ela lutamos a vida toda. Uma das boas histórias que meu avo jornalista contava, era das vezes em que, atrás da camara para a qual ele falava ao vivo, havia um uniformizado – como voce diz – com uma arma apontada em sua direcao zelando pela ignorancia do povo. Meu avo descrevia um contraponto de pensamentos… enquanto uma parte de seu raciocínio comandava seu comentário, a outra refletia sobre o que valia mais, sua vida ou o compromisso que tinha com aquilo que acreditava e ele optava por fazer questao dos dois.
      Eu lamento a ignorancia dos que me ensinaram mas nao perdoo o comodismo daqueles que optam por ela. Meu dedo estará sempre apontado contra aquele e todos os outros uniformizados pois tenho certeza que as armas deles também estarão sempre apontadas contra a minha palavra.
      Abração,
      Marcelo

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      1. Caro Marcelo,

        Agradeço pela delicada resposta. Não sou a pessoa mais indicada para discorrer sobre a situação do Brasil durante o regime militar. Além de não ter feito política naquela época (nem hoje), vivi longe da terrinha durante os anos mais rigorosos. Percebo que, ainda hoje, há muita gente ressentida com o que aconteceu naquele período. Respeito o sentimento alheio e não tenho comentários a fazer.

        Mas posso falar de minha experiência pessoal. Quando voltei ao Brasil no fim dos anos 70, depois de muitos anos fora, posso-lhe assegurar que não encontrei um país destruído. Ao contrário, tive a sensação de que se vivia melhor do que uma dúzia de anos antes. Já o mesmo não se pode dizer dos governos dos últimos 13 anos, que empurraram o país muitos degraus escada abaixo.

        Como você vê, vestir uniforme não é condição «sine qua non» para destroçar um país.

        Forte abraço.

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  2. Concordo com José Horta Manzano, desde 1947 qdo comecei a estudar, já aprendi que as cores do símbolo da pátria (de qual me orgulho) representavam as florestas, o céu e o ouro do Brasil.
    Não entendo para que dizer às crianças que foram copiadas de outro país. Afinal, representam mesmo, e nesses tempos de pouca cidadania, em que até substituem nossa bandeira por outras cores ( vermelho atualmente) e que raros brasileiros sabem de cor o hino à bandeira, acredito não haver necessidade dessa informação ser importante.
    Obrigada Marcelo por alegrar nosso domingo e demais dias com seu blog tbm cultural. Bjss

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    1. As cores da bandeira nao foram copiadas de outro país, elas foram determinadas pelos países que possuíam o Brasil na época da mesma maneira que o dono de uma vaca imprime sua marca no couro dela. Símbolos só passam a ter legitimidade quando nós lhe atribuímos significado, assim, uma vaca pode sublimar o trauma da ferida e inventar um outro significado pra marca que carrega. É direito legítimo dela e possivelmente será mais comodo pra ela, nao contar aos bezerrinhos o trauma que carrega. Já que ocultar a verdade nao é o mesmo que mentir, parece que está tudo bem… até o dia que os bezerrinhos descobrem a verdade e passam a ter sérias dúvidas de tudo o que a vaca (nao) contou. Em uma coisa eu ainda acredito: o compromisso e a responsabilidade que temos com a verdade, principalmente aqueles que se dizem educadores pois saberao escolher a maneira e o momento certo de ensiná-la. Nao admito a opcao da mentira. Bjsssss

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  3. Delightfully rich musik…Love a drama playing live orchestra..awakens my British soul and gives my American mind momentary peace….the maestro never loses his stick…never :))

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