@jeannevosbeeck: Longing for the unknown / Saudades do desconhecido

English below!

Você já sentiu saudade de algo que não viveu? É um sentimento difícil de explicar justamente porque expressa algo que parece não ter qualquer lógica. Sentir saudade e sentir falta são duas coisas diferentes… enquanto sentir falta pode ser entendido simplesmente como perceber a necessidade de algo que não está à disposição, sentir saudade remonta a um certo tempo no passado quando algo estava presente… uma coisa, uma pessoa, um lugar, um sabor ou uma experiência que, no presente, não está mais. E ainda há tanto a saudade daquilo que poderá voltar como daquilo que jamais retornará. São saudades, digamos, com temperos diferentes.

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Sentir saudade de algo não vivido é um sentimento real e enigmático. Completamente diferente de desejar ou de fazer uma certa projeção para o futuro a partir da noção de que algo novo e ainda não experimentado poderia ser bom em sua vida, a saudade do não vivido remete a um passado que nunca esteve lá. É uma seta que aponta para um vazio silencioso que, apesar do estranhamento da dúvida, é capaz de confortar, de tranquilizar, de afagar a alma  com a lembrança do desconhecido.

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Desde que vi a galeria da instagramer @jeannevosbeeck pela primeira vez, senti o magnetismo desse sentimento: a alegria de reencontrar algo que nunca conheci ou o conforto de me sentir em casa onde jamais estive. A certeza do sentimento é tão real como o enigma que ele sugere e assim a dúvida se transforma em uma curiosidade voraz que me faz querer rever os desenhos dela mais e mais vezes.

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A fantasia imaginativa de Jeanne não se limita a desenhos – são vários outros tipos de trabalho – mas a essência que os une é sempre inconfundível e me parece culminar quando são feitos nas páginas de livros, sobre o texto impresso. Pelo amor que tenho aos livros, não os considero como objetos, pelo menos não como objetos inanimados… são seres de uma ordem que eu simplesmente não sei ordenar e quando os vejo sob os desenhos de Jeanne sinto o desejo de tocá-los com os dedos como se examinasse a tatuagem na pele de alguém. Desejo de por a mão… simples assim… como uma criança que precisa tocar o mundo para saber dele. E é nesse momento que até o tempo parece parar pra ouvir a inocência da minha perguntinha infantil: cadê o passado que estava aqui?

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Did you ever feel longing for something you didn’t experience? This feeling is dificult to explain because it expresses something that seems to have no logic. To feel longing and miss something are two diferent things… “to miss” may be understood simply as realizing a certain need for something that is not availabe at the moment, but longing for something goes back to a time in the past when something was present there… a thing, a person, a place, a taste or an experience that, in this moment, is no more. And it’s just as possible to feel longing for something that may return as for something that will never come back. Those are, let’s say, longing with diferent flavors.

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To feel longing for something you didn’t live is both a real and an enigmatic feeling. Completely diferent than wishing or making a projection for the future considering the knowledge that something new and not tried yet could be good in your life, longing for the unexperienced refers to a past that has never been. It is an arrow pointing to a silent emptiness that, despite the strangeness of the doubt, is able to confort, to calm, to caress the soul with that remembrance of the unknown.

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Since a saw the gallery by instagramer @jeannevosbeeck for the first time, I felt the magnetism of this feeling: the joy to meet again something I never knew or the confort of feeling at home there where I have never been before. The sureness of that feeling is as real  as the enigma it suggests and so the doubt transforms itself into a voracious curiosity  that makes me wish to see her drawings again and again.

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Jeanne’s imaginative fantasy is not limited to drawings – there are diferent types of works – but the essence that hold them together is always unmistakable and seems to culminate when they are done on books’ pages, over the printed text. Since I love books so much, I don’t considere them as objects, at least not as inanimate objects… they are beings of a certain order I don’t know how to sort and when I see them under the drawings by Jeanne I wish I could touch them with my fingers as if I would exam the tatoo on someone’s skin. The desire to put my hands on it… simple as that… like a child who needs to touch the world to know about it. And it is exactly in this moment that even time seems to stop to hear with innocence my little childish question: where is the past that was here?

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7 comentários sobre “@jeannevosbeeck: Longing for the unknown / Saudades do desconhecido

  1. Longing to touch the sweet canes in the sugarcane field i ran through as a youngster…then through the black ash after the field was burned to the ground for recropping. A sweet joy mixed sadness tucked away in the memory of my past…and maybe my future

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